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Boneca grávida e com genitais é um excelente recurso para a prevenção da violência sexual

June 20, 2018

A boneca chamada de "Pregnant Barbie Doll", fabricada pela empresa chinesa VWH e comercializada no site Amazon.com, está causando certa tensão entre adultos. O brinquedo é indicado para crianças de todas as idades, mas há quem acredite que não deveria ser comercializado para crianças pequenas. 

 

Ora, saber como os bebês nascem é um conhecimento importante para as crianças e não só isso: é fundamental que elas compreendam também de que forma os bebês "entram" na barriga da mulher (esqueçam a cegonha, combinado?). Se essas informações forem passadas de forma qualificada, com o uso de recursos didáticos adequados à faixa etária e numa relação onde existe confiança e vínculo, esse conhecimento não erotiza nem incentiva o sexo precoce, pelo contrário.

 

 Nesse contexto, deixando claro que engravidar é uma escolha de pessoas adultas e responsáveis, a informação PROTEGE as crianças contra a violência sexual. Portanto, não há problema algum em deixar o seu filho ou filha brincar com uma boneca grávida que da à luz. Permitir a brincadeira é, na verdade, uma forma lúdica e oportuna para se conversar sobre os temas e passar as informações esclarecendo as dúvidas e curiosidades que possam surgir.

 

Estudos mostram que crianças com esse tipo de informação (educação sexual) são seis vezes mais capazes de se defender em situações de violência sexual e de reportar o abuso para buscar ajuda. Portanto, essa polêmica sobre a inadequação da boneca para crianças pequenas não se sustenta. 

 

Por outro lado, há um aspecto, não citado, que merece atenção: a boneca não tem vulva nem vagina. Repare que, da forma como foi concebida, a Barbie, além de possuir um corpo incompleto, sugere que a forma "natural" ou "mais comum" de nascer é através da cirurgia cesariana, o que não é verdade. A cesariana é uma via de parto cuja incidência não deve exceder os 15%, segundo a OMS.

 

Apresentar a boneca dessa forma traz o assunto de forma limitada para as crianças e fortalece a cultura cesarista, que infelizmente ainda impera no Brasil e deve ser combatida.

 

 

O ideal, portanto, seria que a boneca tivesse seu órgão genital representado e que também pudesse dar à luz pela via vaginal.

 

Muitos adultos acreditam, equivocadamente, que brinquedos com genitália são inadequados porque erotizam as crianças, o que não é verdade. Na perspectiva da educação sexual, não há problema algum em um brinquedo conter a representação das partes íntimas, especialmente as genitais como a vulva e vagina (algumas bonecas, como a Barbie, já possuem mamas e bumbum).

 

Você que é pai, mãe, professor(a), educador(a), tio, tia: esse tipo de brinquedo não erotiza nem rouba a inocência das crianças. É o silenciamento e a falta de informação que deixa as crianças vulneráveis à violência sexual. O silêncio é tudo o que os abusadores desejam para continuarem abusando impunemente, aproveitando-se da privação de educação sexual de que e as crianças padecem na maioria dos casos.

 

Muitas crianças vítimas de abuso sexual, por exemplo, sequer sabem nomear as partes íntimas e muito menos aprenderam noções básicas de autoproteção. Não sabem diferenciar toques abusivos de toques de afeto, não sabem que carinhos em segredo nunca devem acontecer, não sabem que ninguém deve tocar em suas partes íntimas (exceto em situações de higiene e saúde, quando necessário) nem sabem que são donas do próprio corpo. Um corpo completo e especial, que precisa de cuidados, proteção e que merece viver longe de todo tipo de violência.

 

 

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